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SAÚDE E SEXUALIDADE DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
04/12/2020

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A Saúde deixou de ser somente a ausência de doença já faz muito tempo, e infelizmente muitos ainda pensam que ela é somente isso. Saúde é muito mais que isso! Saúde é o bem estar do corpo, da mente, do espírito (caso você acredite, mantendo boas relações espirituais, religiosas e transcendentais), da vida social (conversas boas e prazerosas são importantíssimas para a saúde) e da nossa sexualidade. Muitas pessoas não sabem o que é sexualidade, e pensam em sexualidade apenas como sexo, mas esta visão é errada.

Sexualidade é a busca por coisas que nos fazem bem: brincar com seu bichinho de estimação, assistir um filme, conversar, comer coisas gostosas, assistir uma série, comprar coisas, passear, viajar, beijar na boca, segurar na mão da pessoa que amamos, entre diversas outras coisas, tudo isso é sexualidade. E tudo isso foi colocado à prova nesse isolamento social.

Não existe ser humano assexuado, existem seres humanos assexuais, que tem diminuição (e até a ausência) do desejo e da atração sexual, mas mesmo assim, nenhum ser humano é assexuado (sem sexualidade, afinal, todos os seres procuram coisas que nos dão prazer). A maioria das pessoas é alossexual, que são pessoas que possuem desejos e atrações em quantidades e intensidades dentro de limites considerados “normais”.

As pessoas com deficiência, assim como pessoas sem deficiência, podem ser assexuais ou alossexuais; podem ser monogâmicas (atualmente eu prefiro dizer monoromânticas, afinal a mono ou poligamia tem ligação com casamento civil, e não com desejo afetivo-sexual) ou poliromânticas (pessoas que se apaixonam por mais de uma pessoa ao mesmo tempo); podem ser heterossexuais, homossexuais, bissexuais, pansexuais ou assexuais; podem ser conservadoras na hora da relação sexual ou liberais (podendo escolher mais algo voltado ao que conhecemos pelos filmes 50 tons de Cinza ou pelo 365 DNI). Bem, o que quero dizer aqui é que pessoas com deficiência, independente da deficiência, apresentam uma sexualidade como qualquer outra apresentada por uma pessoa sem deficiência – a deficiência não é fator de limitação da sexualidade. E lembrando que a sexualidade, neste aspecto, envolve tanto por quem nos apaixonamos quanto pelas práticas sexuais que gostamos, e nada disso é alterado com a deficiência.

Pelo contrário, pessoas com deficiência apresentam uma melhor estimulação do corpo como um todo, apresentam um maior respeito também ao que o outro gosta ou quer fazer entre quadro paredes (ou no carro, ao ar livre, e em outros locais).

Pessoas com deficiência não são diferentes quando o assunto é sexualidade, afinal, não existe ser humano que não procura prazer, e cada um procura de uma forma diferente, cada um escolhe o caminho que quer traçar – e cada um tem um despertar diferente, mesmo que esse nunca ocorra (no caso de algumas pessoas assexuais).

Todos estamos vivos e todos procuramos coisas que nos fazem bem. Todos procuramos boas condições de vida, boa saúde, felicidade, amor e carinho.

Devemos ter uma educação sexual mais inclusiva, onde vemos pessoas com deficiência como um ser humano, como qualquer outro: necessitado de amar, ser amado e sentir prazer, seja esse prazer físico, psicológico, social, afetivo, sexual e espiritual.

Na Sexualidade, Saúde e Educação Sexual, as pessoas são e devem ser vistas como pessoas, independente se com ou sem deficiência. E a sociedade, as famílias (tanto das pessoas com deficiência quanto das pessoas sem), profissionais da saúde e da educação (assim como todos os profissionais) devem saber sobre a sexualidade das pessoas com deficiência e, desta forma, quebrarmos esse tabu e esse preconceito em acharmos as pessoas com deficiência como ASSEXUADOS (o que não existe na espécie humana).  

 

Séries recomendadas: Glee, Sex Education, Special;

Filmes: Eu não quero voltar sozinho (Hoje eu quero voltar Sozinho), A Teoria de Tudo.

 

Por Gianluca Loyolla Montanari Leme

Graduado em Fisioterapia pela UNESP;

Mestre e Doutorando em Desenvolvimento Humano e Tecnologias pela UNESP;

Especializando em Uroginecologia Funcional pela Faculdade Inspirar;

Possui Formação Complementar em 'Sexualidade, Erotismo e Cultura' Pela UNESP; e em 'Política Nacional de Saúde Integral de LGBTT' pela UERJ.