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Comunicação sem barreiras: a tecnologia assistiva digital para todos.
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Vivemos em meio a uma pandemia, momento esse de desafios, dor, sofrimento e reclusão. Porém, a internet e possibilidades de acesso remoto tem contribuído fortemente para a aproximação da humanidade. O acesso digital tem sido um suspiro, a esfinge que trouxe o ar. Confesso que com certa ambiguidade, afinal, em meio ao distanciamento a intervenção da comunicação pelos meios digitais, aproxima.
A ferramenta de interlocução da vez deixou de ser somente a fala, ser em existência de fato mostrou que é se comunicar, pacientes COVID internados nas UTIs brasileiras encontram o ar nos ventiladores mecânicos e respiram vida na comunicação alternativa. Um OLHAR, um gesto, uma foto, uma imagem, um vídeo se tornaram formas de dar voz a muitos que não sabiam ao certo o que era estar em um corpo consciente, mas impossibilitado de falar. Essa área da tecnologia assistiva, chamada comunicação alternativa leva a possibilidades que vão além da capacidade de falar.
Vemos uma comunicação alternativa em época de distanciamento que deixa de ser uma tarefa e passa ser um ato de amor. Em tempo, a Comunicação sem barreira é a digital. Mas será mesmo? Na realidade não, um exemplo é a rede profissional da pessoa com deficiência, pois o acesso ainda é escasso. Bom seria se tivéssemos materiais acessíveis sobre como ter melhor acesso ao mercado de trabalho quando se tem uma deficiência. Acesso digital para habilitar o que deveria ser um direito de todos. As pessoas com deficiência têm apresentado inúmeros insucessos ao acesso ao mercado de trabalho.
Possibilidade para cadastro de pessoas com deficiência pensando em mercado de trabalho e inclusão social na era digital é uma necessidade, assim, imagine termos a possibilidade de um cadastro profissional online vinculando o cadastro de vagas para pessoa com deficiência; ou então que as redes digitais possibilitassem a busca dos principais itens de tecnologia assistiva ou outras mercadorias que pudessem ser compradas na internet também de maneira acessível a pessoa com deficiência; vincular todas páginas e sites para atender a diversidade da deficiência. A Acessibilidade virtual, incluindo acesso a materiais de estudo e pesquisa de forma acessível; toda e qualquer faculdade com acessibilidade ao deficiente nas páginas digitais; cursos de extensão e profissionalização online com páginas virtuais acessíveis ao deficiente no Brasil; imagine a acessibilidade digital na localização de espaços que ofereçam cursos de orientação e mobilidade, libras, L2, Braille, comunicação alternativa, entre outros; curso ou assistência digital educacional para que a pessoa com deficiência possa ser acolhida em uma educação continuada, extensão, graduação, pós graduação na área em que ela deseja em relação a suas demandas referente ao mercado de trabalho e não apenas por ser um espaço com a chamada “reserva de vagas” que depende do número total de funcionários da empresa.
Mas como então seria esse acesso digital? Assim ó: todo e qualquer site com a opção do melhor acesso a ela, seja a audiodescrição; a Libras; a Comunicação Alternativa. Será? Não sei, mas quando você imaginou que faríamos tudo online? É importante, compreender que possibilitar de fato o acesso a comunicação é um direito de todos e não uma necessidade. Vemos o impacto na qualidade de vida em vista a um cenário dramático que assistimos diariamente quando se tem contato com pessoas que vivem as barreiras da comunicação.
Não sou especialista digital, mas vejo pessoas com deficiência lutando por espaços, pessoas com grandes habilidades tendo que esconder ou deixar de usá-las por falta de comunicação, falta de oportunidade, falta de espaço...falta, falta, falta..., vejo pessoas com deficiência passando necessidades básicas, dependendo sempre do outro sem ter a autonomia de se dedicar ao sonho que culmina sempre no trabalho, no vencer profissionalmente e poder ser incluída de maneira a fazer o que gosta, o que sonha.
Dignidade humana dá uma força aqui?
Natálie Iani Goldoni
Fonoaudióloga pela UNESP- SP. Doutoranda e Aprimoramento com foco em Comunicação Alternativa pela UNESP- SP. Especialista em Disfagia pelo Hospital Oncológico A. C. Camargo Câncer Center- SP. Curso Básico e Avançado em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium Latinoamérica. Foi Fonoaudióloga Titular no Setor de Cuidados Paliativos do Hospital de Câncer de Barretos- SP e Docente e Instrutora Técnica de PCDs em empresa (Treinamento SENAI- ITÚ). Atualmente é Pesquisadora colaboradora e co-coordenadora em Projetos de extensão na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB-CFP). Docente em Cursos de Capacitação Profissional em Fonoaudiologia (SP/BA) e Fonoaudióloga Clínica em Amargosa-BA. Membro da International Society for Augmentative and Alternative Communication- (ISAAC- Brasil). Secretário e Membro Ativo no Comitê de Fonoaudiologia da Diretoria Nacional na Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP).
