BLOG
home > blog
PÚBLICO ALVO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL E ROTINA DE ESTUDO: APRENDIZAGEM PARA ALÉM DA PANDEMIA
<<Você pode ouvir este texto no nosso canal no Spotify e Deezer >>
No início deste ano, grande parte dos estados brasileiros planejam a retomada das aulas presenciais, podendo este retorno ser pelo modelo híbrido (combinação de aulas remotas e presenciais), ou com base em um sistema de rodízio entre alunos e turmas.
Esse cenário repleto de incertezas, e anseios, aflige ainda mais crianças, adultos e famílias de pessoas com deficiências. Como professora da Educação Básica e especialista em Educação Especial e Inclusiva, tenho escutado muitas queixas, desde mães de crianças com alguma deficiência, entre elas a intelectual, quanto de famílias de crianças com indícios de precocidade.
Entre a maior parte das queixas estão: a dificuldade com a organização de um rotina de estudo; garantir a assiduidade da criança para realizar as tarefas escolares; a falta de aceitação das crianças de serem ensinadas em casa com apoio da família, e a ausência de conhecimento dos pais para apoiar a aprendizagem dos filhos. Dúvidas, e medos são naturais neste contexto, no entanto, uma questão é certa: a aprendizagem precisa ocorrer, para além da pandemia!
Tendo isso em vista, trago 5 sugestões, que com base em estudos e experiências práticas, considero essenciais para que pais e professores possam contribuir para um bom planejamento e organização dos estudos para crianças Público-Alvo da Educação Especial em 2021:
- Parceria entre família e escola: O contexto em que vivemos de um ensino remoto evidenciou ainda mais a importância deste item. Como estabelecer essa parceria?
Família: No início deste ano, procure a escola, busque conhecer o(a) professor(a) ou professor(es) de seu filho, exponha tudo o que você sabe sobre a deficiência, transtorno ou indícios de precocidade do seu filho(a). Elenque as dificuldades e avanços que vocês tiveram neste ano de 2020 a partir de uma educação remota. Se necessário, anote tudo em um papel, para evitar esquecer informações importantes.
Professores: Ouçam a família! Aconselhem, avaliem e replanejem quantas vezes forem necessárias para que os objetivos educacionais sejam efetivamente alcançados. Esta parceria auxiliará na execução das demais dicas!
- Estabeleçam horários fixos para estudo e elaborem uma rotina de atividades semanais: Família e professores, definam essa rotina juntos, com base nas necessidades e disponibilidades de todos os envolvidos no processo pedagógico. Para tornar essa rotina visual e acessível, principalmente para crianças, ela pode ser confeccionada em um cartaz, ou lousa e lida com a criança, com apoio da professora e família, sempre que necessário.
- Ambiente propício para estudo: A organização de um ambiente confortável, calmo e livre de outros estímulos como televisão, celular e games é necessária para a criança sustentar a atenção durante a realização de tarefas escolares.
- Realização de atividades permanentes: Algumas atividades ou tarefas necessitam ser realizadas diariamente para a consolidação de habilidades ou aprendizagens específicas nas crianças. Essas atividades devem ser definidas entre professores e família, de acordo com os objetivos pedagógicos estipulados para a criança, podendo ser: produção de calendário, escrita do nome próprio, pequenos trabalhos domésticos, leitura de livros de história, entre outras.
- Mesclagem entre proposição de tarefas desafiadoras e tarefas em que a criança já se sinta segura em realizar com autonomia: Crianças gostam de ser desafiadas, principalmente as com indícios de precocidade. No entanto, do mesmo modo, é importante para a autoestima da criança, que sejam oferecidas tarefas em que ela tenha domínio e seja capaz de realizar sozinha. Deste modo, as conquistas devem ser evidenciadas, mais do que as dificuldades e limitações.
Além do que já foi dito, algumas crianças com deficiências, podem requerer intervenções específicas de modo a favorecer o aproveitamento curricular, tanto na rotina do ensino presencial quanto no remoto, tais como: realizar um planejamento de forma a anteceder as dificuldades da criança; oferecer apoios físicos, verbais ou ainda emocionais; lançar mão de materiais concretos; utilizar uma comunicação alternativa e diferenciada (sempre que necessário), e realizar ações que promovam interações de qualidade entre criança, pares, família e escola (ARAUJO, 2019).
O mais importante é não perder de vista que é possível aprender, apesar da pandemia!
REFERÊNCIA:
ARAUJO, M. A. Práticas Pedagógicas na Educação Infantil frente à acessibilidade curricular de crianças com Síndrome de Down. Dissertação (Mestrado em Educação Especial) - Universidade Estadual Paulista, Marília, 2018.
Mariane Andreuzzi de Araujo
Mestre em Educação - UNESP Marília;
Especialista em Formação de Professores em Educação Especial: apoio à escola inclusiva - UNESP Marília;
Licenciada em Pedagogia - UNESP Marília.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3264142398490852
