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IMPORTÂNCIA DO TRABALHO EM EQUIPE ENTRE OS PROFISSIONAIS DA SAÚDE E EDUCAÇÃO
12/02/2021

<<Você pode ouvir este texto no nosso canal no Spotify e Deezer >>     

 

 

            “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança” 

            Somente com esse provérbio africano poderíamos dizer tudo o que esse texto propõe, mas a realidade é que ainda é necessário escrever muito mais do que isso para falar da importância do trabalho de TODA a equipe que forma a “aldeia” de uma criança. E ainda mais necessário é que existam muitos mais textos como esse, muitas iniciativas como a do Café Inclusão para que um dia, em um futuro que eu acredito não distópico, não seja mais necessário usar a palavra inclusão, afinal se ainda precisamos usá-la é porque ela ainda não acontece.

            Então, depois desse “desabafo” vamos ao assunto!

            Quando uma criança é levada para uma avaliação terapêutica o que o terapeuta faz, de um modo geral, é identificar os desafios de participação dessa criança em todos os contextos nos quais ela está inserida. 

Depois da sua própria casa, o lugar em que a criança fica durante a maior parte do dia é a escola e por isso esse contexto merece uma atenção especial por parte dos terapeutas.

            Apesar de muitas crianças passarem mais tempo com os terapeutas do que com alguns familiares, a maior parte da vida delas não acontece no contexto terapêutico e isso por si só já é um motivo para que profissionais da saúde estejam em comunhão com profissionais da educação para identificar os desafios de participação e poder englobar esses desafios nas sessões terapêuticas. 

            Mas será que identificar os desafios de participação e trabalhar para que eles sejam superados dentro da sala de atendimento é o suficiente?

            Muitas escolas acham que sim e, por mais que isso seja estranho, muitos terapeutas também. Cada um fica na sua caixa e acha que pode separar a criança nessas caixas também, mas isso simplesmente não funciona!

            Lembra do provérbio africano? Como uma aldeia funciona? Cada um faz uma parte do trabalho para que no final todos sejam alimentados e mantenham-se em segurança, saudáveis e felizes. E, se porventura, acontece algo de errado com uma pessoa todos devem trabalhar juntos para resolver o desafio daquela pessoa, até porque sem ela, toda a aldeia se prejudica.

            Assim deve ser o trabalho entre profissionais da saúde e educação, uma “aldeia” de conhecimentos sobre aquela criança que juntos vão fazer com que ela possa enfrentar os desafios de participação. Desafios esses que não são da criança, são de toda a “aldeia”, família, terapeutas e escola.

            E aí você pode estar pensando naquela máxima: “Ok, isso tudo é muito lindo, mas na teoria, a prática é outra”. Sim, sabemos que muitos terapeutas têm dificuldades em serem aceitos na escola, infelizmente ainda existem muitos estabelecimentos de ensino que simplesmente não permitem a entrada dos terapeutas na escola, tampouco que eles deem orientações sobre o aluno. Também sabemos que essa aceitação pode vir mascarada de: “Somos legais e aceitamos que os terapeutas venham aqui para saber da criança, mas quem sabe o que é melhor para ela aqui na escola somos nós profissionais da educação”.

            Se você é terapeuta e está lendo esse texto com certeza já se deparou com essa situação e nesse momento tudo o que não pode acontecer é uma queda de braço, afinal de contas o que se espera é comunhão entre as partes e para os terapeutas a dica é: Seja gentil, saiba ouvir, estabeleça confiança, fale do seu trabalho e mostre que você não está ali para dizer a eles o que fazer, mas para tornar o trabalho deles com a criança mais fácil e efetivo. 

            E tem mais uma coisa de extrema importância, a equipe de saúde tem que estar alinhada entre si para fazer esse alinhamento com a escola. Se nos colocarmos no lugar da escola, saberemos o quanto é difícil, por exemplo, ouvir da fonoaudióloga que é necessário fazer uma abordagem X com a criança e da psicóloga que a abordagem Y que é a correta. Como diz o ditado, o combinado não sai caro! Por isso, os terapeutas devem estar bem alinhados com seus objetivos.

            Da mesma forma que os profissionais da educação tem que estar abertos ao que os terapeutas trazem sobre a criança, esses também tem que estar interessados nas demandas da escola em relação àquela criança, pois só assim saberá para onde olhar e como sugerir soluções para os desafios enfrentados pelos alunos e pelos professores nesse processo de ensino.

            E a cereja do bolo: Família! Se profissionais de saúde e educação se mostram integrados a chance da família se engajar ainda mais nesse processo é muito maior e só quem tem a ganhar com isso é o aluno, que sempre deve ser o centro de tudo!

            E levar em consideração o que a criança mostra nesse processo é de uma importância que não dá nem para mensurar, elas são, além de centro, os guias deste processo e isso me faz lembrar o poeta Manoel de Barros sobre como ele era quando criança:  “Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação.”

            Que equipe de saúde e de educação sejam como as crianças, tenham mais comunhão e menos comparação!

 

Joyce dos Santos Marques

Terapeuta Ocupacional

Pós graduação em Dança pela UCDB

Formação no Conceito Neuroevolutivo Bobath pela Bobath Brasil

Certificação Internacional em Integração Sensorial pela Universidade do Sul da Califórnia

Sócia proprietária do Centro Especializado em Neurodesenvolvimento - Move Mais