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CARNAVAL E MODA INCLUSIVA
19/02/2021

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Quando falamos em Carnaval, imaginamos foliões brincando, muita gente dançando, trajes coloridos, adereços como máscaras e chapéus divertidos.

Mesmo neste ano de pandemia, sem poder sair às ruas ou clubes para curtir, muitas pessoas se animaram, elaboraram suas fantasias de forma criativa e brincaram o carnaval em casa com a família.

Porém, para entendermos melhor como se vestir para esta festa, é preciso que voltemos um pouco no tempo.

As figuras símbolos que vemos todos os anos como pierrô, arlequim e colombina, surgiram no século XVI, na Itália, entre os atores de teatro de rua, que se utilizavam destes trajes para satirizar os integrantes da nobreza. Mais tarde, passaram a animar o carnaval na cidade de Veneza, onde também foram criadas máscaras, utilizadas pelos nobres que queriam esconder seu rosto e brincar o carnaval junto à plebe, sem serem reconhecidos.

Aqui no Brasil, estas influências chegaram no início do século XX, impulsionados por cordões e blocos que desfilavam nas ruas e que, ainda hoje, arrastam multidões por onde passam.

Mas sempre que vejo imagens de carnavais antigos, eu me pergunto:

Onde estavam as pessoas com deficiências (pcd’s)?

Não vestiam fantasias?

Não brincavam no carnaval?

Pois bem. Infelizmente, as pessoas com deficiência eram privadas de saírem às ruas, devido à censura da sociedade preconceituosa. As famílias escondiam seus entes queridos em casa ou clínicas para não serem perseguidas ou “mal faladas''. Daí se dão poucos registros em fotos ou vídeos.

Hoje, através das mídias sociais, muitos pcd’s mostram suas vivências e trazem a representatividade à tona. Buscam seu espaço, seus direitos e deveres como cidadãos, nos campos da acessibilidade: digital, arquitetônica e vestuário.

A moda que sempre lança tendências com roupas em corpos esguios, tidos como “perfeitos”, vem se deparando com uma realidade bem diferente, já que segundo dados do IBGE, cerca de 45 milhões de pessoas possuem alguma deficiência.

As famílias sempre “deram um jeitinho”, costurando as peças que essas pessoas precisavam vestir. Porém, é preciso que a indústria observe e atenda estas necessidades.

Elas necessitam de peças que tenham alguma adaptação, que facilite o vestir e o despir, que disponham de recursos tecnológicos como código QRCode para melhor entendimento de informações sobre a peça que está comprando, entre outros. Buscam o direito de entrar numa loja física ou virtual e terem o poder de decisão de compra, de escolher o que desejam vestir, afinal são consumidores como tantos outros. Recursos estes, que trarão autonomia, auto-estima e bem-estar.

Isso também se estende a itens como fantasias e acessórios, como brincar e se divertir no carnaval.

A inclusão é a palavra da vez, porém ainda tem de haver muita persistência e força de vontade para que esta realidade ocorra.

Todos têm o direito à mobilidade, a consumir e se divertir, cada um à sua maneira, na diversidade de corpos, pois só assim se dá a inclusão de verdade.

 

Evlin Mey

Estilista - Moda Inclusiva

Bacharel em Comunicação - Publicidade Propaganda - Faculdades Int. Coração de Jesus

Jornalismo de Moda - Faculdade Cásper Líbero

Desenho de Moda e Ilustração -Sigbol Fashion

Desenho de Comunicação - Etec José Rocha Mendes

Moda Inclusiva - Pesquisa,  Desenvolvimento e Marketing - Centro de Tecnologia e Inovação

Vencedora 3. Lugar no Concurso Internacional de Moda Inclusiva, promovida pela Secretaria da Pessoa com Deficiência do Estado São Paulo

Criação de vestuário e acessórios para diversos segmentos: Infantil, Teen, Adulto, nos segmentos: Moda, Promocional, Profissional, Escolar.

Em suas redes sociais apoia a inclusão, a acessibilidade, a diversidade.