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A (RE) AVALIAÇÃO NO PLANEJAMENTO EDUCACIONAL INDIVIDUALIZADO
26/02/2021

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Há 13 anos me dedico como professora de Educação Especial, nesse período nenhum ano sequer deixei de elaborar e aplicar o Planejamento Educacional Individualizado (PEI), evidenciando o quanto o PEI é não apenas importante, mas necessário para a minha práxis educativa, bem como para o desenvolvimento adequado dos meus alunos público-alvo da Educação Especial.

                Considerando minha trajetória profissional, percebo que infelizmente é usual a prática indevida do PEI, de modo que muitos colegas se recordam do PEI como apenas uma exigência burocrática e que ao longo do ano letivo vão se esquecendo da necessidade do PEI como recurso para acompanhar devidamente a trajetória de cada aluno.

                Nesse sentido, não podemos apenas olhar o PEI como um direito, mas um dever do professor no tocante a utilizá-lo como um meio de monitoramento constante dos nossos objetivos pedagógicos. Com isso, percebo que podemos considerar o PEI muito mais como uma burocracia pedagógica, mas como um recurso que pode e deve ser utilizado em no mínimo 04 momentos, sendo eles: 1) conforme a temporalidade; 2) o ritmo de aprendizado; 3) o nível de aprendizado; 4) o avanço ou retrocesso no aprendizado.

                Vamos discorrer de modo prático esses quatro aspectos. Sobre a temporalidade, habitualmente é elaborado o PEI no início e no final do ano leito, a princípio para observar as habilidades, as limitações, as potencialidades, além dos indicadores bem conhecidos como: cognitivos, psicomotores e socioemocionais. No final do ano, para novamente observar esses aspectos mencionados.

                Com relação ao ritmo de aprendizado, consideramos aqui especialmente as atividades e os conteúdos que foram direcionados especificamente para cada aluno, considerando especialmente o tempo em que levam para desenvolver cada aspecto referido.

                Sobre o nível de aprendizado, talvez esse seja o aspecto mais complexo, porque ele envolve não apenas os níveis de dificuldades apresentados pelo aluno, mas também a como nós docentes devemos nos preparar para adequar nossas atividades pedagógicas a esses níveis. Tendo a sensibilidade e a precisão para determinar quais desafios podemos lançar aos nossos alunos e agora em tempo de distanciamento social, em detrimento do Covid-19, os desafios que também lançamos para as famílias que mais diretamente estão acompanhando esse processo. Por isso, é muito importante escolher os métodos avaliativos corretos e ao mesmo tempo observar quando eles precisam ser adequados ao alunado.

                Nesse sentido, chegamos ao último ponto, que está ligado aos aspectos anteriores, pensando agora no avanço e/ou retrocesso no aprendizado. Em primeiro lugar, precisamos considerar que todas as pessoas aprendem! De igual modo, não! Mas, aprendem! Para garantir que esse aprendizado se dê precisamos oferecer recursos, técnicas e estratégias adequadas, e constantemente devemos oferecer monitoramento para então acompanhar esses avanços.

                Em segundo lugar, precisamos conhecer todos os aspectos internos e externos que afetam diretamente esse aprendizado, por exemplo: posso oferecer todo o suporte dentro da minha sala de aula e ainda não ter o avanço esperado por questões intrinsecamente familiares, onde o aluno apresenta avanços na escola, mas não acomoda e evolui, ou seja, não transcende extramuros escolares.

                Com relação ao retrocesso, todos nós também temos a possibilidade de retroceder e os motivos são diversos, não necessariamente advindos da deficiência, por isso cabe ao professor verificar até que ponto esse esforço precisa ser feito, até que ponto o aluno precisa daquela informação, ele pode por exemplo ser redirecionado para outro conteúdo, para outra habilidade, que muitas das vezes será muito mais útil para sua vida, considerando o dia dia dele dentro e fora da escola.

                A você, colega professor, que iniciará mais uma ano letivo, cheio de desafios e dificuldades, eu indico o começo, que você possa adicionar a sua prática o uso do PEI, apesar de parecer complexo, não é impossível de ser elaborado, então, apenas com a constância no uso que você perceberá que ele pode deixar de ser algo burocrático para se tornar um grande aliado no seu processo de ensino, de modo a refletir isso na aprendizagem de todos os seus alunos.

                A vocês, um bom ano letivo, cheio de saúde e novas descobertas!

 

Lígia Maria Turati

Pedagoga e Administradora de Empresas

Especialista em Deficiência Intelectual e Múltipla com ênfase em Inclusão