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ATIVIDADE FÍSICA PARA PESSOAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
09/04/2021

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A atividade física é importante para todos nós. Se realizadas regularmente, todas as formas de atividade física podem promover benefícios à saúde para todas as populações, e, por isso, é recomendada para todas as idades. Nesse sentido é importante que se crie o hábito e interesse da prática da atividade física regular. O esporte e o lazer podem ser um auxiliar na promoção de atividade física

A Organização Mundial da Saúde recomenda, para crianças e adolescentes, a realização de 60 minutos ou mais de atividade física moderada a vigorosa por dia. Para os adultos, a recomendação é de 150 minutos de atividade física moderada durante a semana (mínimo 30 minutos por dia, por cinco dias na semana). No entanto, mais de 20% da população adulta e mais de 80% dos adolescentes não seguem estas recomendações.

O nível de atividade física de crianças sem deficiência é maior do que de adolescentes sem deficiência. Isso também ocorre entre crianças e adolescentes com deficiência. Além do mais, quando comparados com suas faixas etárias, as crianças e adolescentes com deficiência possuem menor nível de atividade física do que as crianças e adolescentes sem deficiência.

Embora estudos apontem a importância de as pessoas com deficiência praticarem atividade física para manter a saúde e melhorar a qualidade de vida, verifica-se que o nível de atividade física geralmente é menor entre pessoas com deficiência do que pessoas sem deficiência, devido à falta de oportunidade de acesso a programas acessíveis e adequados. Além disso, os estudos assinalam que há uma tendência das pessoas com deficiência ao isolamento social e a não participação em programas de atividades físicas.

Quando pensamos na participação das crianças com deficiência em atividades de lazer, além de proporcionar diversão, desenvolvimento social, entre outros benefícios, verifica-se que, apesar de as crianças com e sem deficiência possuírem a mesma preferência em atividades de lazer, as crianças com deficiência o fazem com mais frequência, mas tem menor interação social do que as crianças sem deficiência.

O esporte também é uma prática de atividade física que promove benefícios, mas um baixo envolvimento das crianças com deficiência em aulas de Educação Física pode gerar um empecilho relacionado à aproximação dessas crianças ao esporte.

Sendo assim, apesar da importância da prática de atividade física por crianças e adolescentes com deficiência, a participação deles é reduzida em atividades de lazer e esportivas.

Mas por que estou falando tudo isso? Porque as pessoas com autismo (Transtorno do Espectro Autista - TEA) são consideradas como pessoa com deficiência pela lei brasileira. As principais características apresentadas por essas pessoas são a dificuldade de comunicação e interação social e comportamentos restritivos/repetitivos. A partir do diagnóstico, a criança com TEA participa de intervenções que auxiliarão a reduzir comprometimentos que o transtorno pode causar.

Além das intervenções específicas para a criança com TEA, é possível potencializar o desenvolvimento das capacidades e habilidades com intervenções como: psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional, musicoterapia, terapia assistida por animais, equoterapia, atividade física.

No caso da atividade física, é importante que sejam desenvolvidos programas com atividades físicas adequadas as características dessas pessoas, para que seja possível desenvolver suas habilidades, além de reduzir os possíveis atrasos.

Assim, destaco a importância de desenvolver um programa específico de acordo com a individualidade do aluno com TEA. Para isso, é importante que se conheça as características desse aluno, além do registro das atividades para acompanhar o desenvolvimento do programa e realizar as alterações e manutenções necessárias.

 

Dicas e sugestões para o programa de atividades físicas

A seguir apresento algumas dicas e sugestões presentes no capítulo ATIVIDADE FÍSICA E TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA do livro ATIVIDADE FÍSICA ADAPTADA: Qualidade de vida para pessoas com necessidades especiais, o qual escrevi em parceria com a querida professora Marli Nabeiro (mais detalhes sobre as dicas estão no livro impresso).

As dicas e sugestões foram indicadas na tentativa de organizar um programa de atividade física adequado às características dos alunos com TEA.

1) Para planejar o programa, o professor deve considerar o que o aluno é capaz de realizar e quais suas limitações para traçar os objetivos, organizando as atividades em uma sequência e estrutura, padronizando as mesmas para evitar mudanças repentinas.

2) Estimular o desenvolvimento motor, por meio de atividades desenvolvimentistas, pensando nas etapas do processo de desenvolvimento motor.

3) Apresentar a rotina da aula para que o aluno saiba a sequência das atividades que serão realizadas na aula.

4) Proporcionar previsibilidade da atividade para reduzir a ansiedade e insegurança do aluno.

5) Usar figuras para diversos momentos da aula, como para mostrar materiais que serão utilizados, para demonstrar os exercícios que serão realizados, para indicar a sequência da atividade, para estabelecer início e fim da atividade/aula, para iniciar/parar uma atividade, para se comunicar com o aluno e para estabelecer regras.

6) Adequar a instrução da atividade com instrução verbal, demonstração e, se necessário, assistência física.

7) Introduzir novas atividades/exercícios com mudança gradual.

8) Utilizar reforçador para manter um comportamento adequado/desejado.

9) Atenção do aluno para que ele obtenha e mantenha sua atenção nas instruções das atividades.

10)Tempo de tolerância do aluno, conhecer para que se evite comportamentos agressivos do aluno.

11) Restringir comportamentos restritivos/repetitivos, que podem ser gerados por tempo ocioso, sendo necessário diminuir o tempo de espera do aluno.

12) Estabelecer regras de comportamento e oferecer reforço positivo quando cumpridas ou consequências quando não cumpridas.

13) Hipersensibilidade sensorial pode gerar estresse devido ao estímulo que está sendo oferecido (som alto e luzes intensas ou piscantes podem gerar aversão no aluno).

14) Estimular o relaxamento, devido à dificuldade que o aluno com TEA pode apresentar para relaxar.

Para finalizar trago uma citação do capítulo que expõe que a partir da percepção e compreensão das características presentes em cada pessoa com TEA, é possível realizar programas de atividades físicas para elas, desenvolvendo suas capacidades e potencialidades.

 

Meu nome é Fernanda Toledo, sou graduada em Licenciatura em Educação Física pela UNESP/Bauru, mestre e doutora em Educação com linha de pesquisa em Educação Especial pela UNESP/Marília. Fui apresentada ao universo da Educação Física Adaptada, e por amor permaneci. Sou professora de Educação Física de alunos da Educação Infantil, Ensino Fundamental 1 e Ensino Fundamental 2, em escola privada. Também sou membro da Associação Brasileira de Atividade Motora Adaptada – SOBAMA (@sobamaoficial), além de seguidora e admiradora do @cafeinclusão.