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TERAPIA COMPORTAMENTAL PARA PESSOAS COM TEA
07/05/2021

É um prazer enorme estar com vocês!

Fui convidada para falar sobre o meu trabalho no dia a dia com as famílias, as pessoas autistas e a teoria Comportamental.

Sabemos que assim como todas as crianças, adolescentes e adultos, incluindo aqueles com autismo, que seus comportamentos são influenciados pelo ambiente. Essa é a base principal da teoria Comportamental. O antecedente ao comportamento e a consequência dada a ele, acarretará um aumento ou a diminuição da frequência desse comportamento. Logo, essa tríade é essencial para:

  • Transformar um comportamento inadequado em comportamento socialmente aceito;
  • Mudarmos um comportamento que está acontecendo como barreira para aprendizagem, ou para o convívio social;
  • Ampliar o repertório de comportamentos, expandindo assim seu repertório de comportamentos funcionais.

A terapia tem como objetivos, desenvolver, por meio da abordagem Comportamental, as seguintes habilidades: básicas; sociais; cognitivas; de autonomia, independência; colaboração; motoras (fina e grossa) e de comunicação.

Na primeira entrevista, há a escuta e o acolhimento da família (que traz as demandas que julgam necessárias a serem trabalhadas), a observação do paciente sem demanda específica e também a solicitação de vídeos para avaliar determinadas situações. Em seguida, há um breve contato com os profissionais que trabalham diretamente com o paciente, como: professores, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, cuidadores, dentre outros. Nessa etapa, analisa-se as demandas e as informações obtidas para a realização do relatório, que irá conter as metas a serem atingidas, a partir do atraso nos marcadores do desenvolvimento da pessoa em avaliação. Nesse momento, relata-se também, a quantidade de carga horária diária e semanal, necessárias para alcançar os objetivos pré-estabelecidos.

A partir de então, ocorrerá a execução do trabalho, que é feita pela equipe de terapeutas treinadas e supervisionadas por mim, Paola, e pela psicóloga, Ana Amélia. Essa equipe de terapeutas é composta por: psicólogas, estagiárias e psicopedagogas. Elas que atendem diretamente o paciente. Eu, Paola, supervisiono esse trabalho terapeuta/paciente: estabelecendo a programação terapêutica, definindo estratégias e intervenções para atingirmos os objetivos propostos na avaliação. A psicóloga supervisora Ana Amélia orienta os familiares em relação às dificuldades no manejo com o paciente por meio da análise funcional do comportamento e repassa o aprendizado da terapia, para que a família auxilie no processo de generalização. Além da família, ela estabelece diretamente o contato com os outros profissionais para favorecer o desenvolvimento global do paciente por meio de um trabalho multiprofissional.

Muitas pessoas perguntam: por que a terapia é realizada em domicílio?! Sabe-se que o autista estando em seu próprio ambiente favorece a compreensão e a análise dos antecedentes e consequentes dos seus comportamentos inadequados e também dos comportamentos adequados. Além disso, ao aprender novas habilidades e novos comportamentos, o paciente tem maior facilidade de generalizar, conseguindo replicar o que aprendeu em terapia com seus familiares, por aprender a escovar os dentes com autonomia em seu próprio banheiro, por exemplo. Outro ponto positivo: a terapeuta serve de modelo aos familiares e cuidadores da casa que começam a ver como a profissional desenvolve o trabalho com o paciente. Em domicílio, também conseguimos colocar a família para participar sempre que necessário, facilitando o "colocar em prática". Seguem outras vantagens: maior comprometimento familiar, já que quase não há demarcações (geralmente ocorre por questões de saúde do paciente); não necessita deslocamentos, o que muitas vezes, pode ser desgastante para família e paciente.

 

A abordagem Comportamental baseia-se em evidências científicas para melhorar o comportamento das pessoas com autismo e consequentemente melhora a qualidade de vida de toda a família e, com isso, favorece também na inclusão social e escolar do paciente.

 

Maria Paola Cicci Resende

Sou psicopedagoga e psicóloga formada pela Universidade Católica de Brasília e atuo como psicóloga supervisora da equipe de terapeutas do acompanhamento domiciliar Comportamental para pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Sou especialista em técnicas de ABA, TEACCH, Multigestos, PECs e DENVER.