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AVALIAÇÕES E EXPECTATIVAS
Final de semestre chegando e além da rotina atual dos professores de preparar conteúdo, materiais, gravar videoaulas e fazer acompanhamento dos alunos chegamos ao período de avaliação pedagógica para verificação da aprendizagem de cada aluno, bem como de fechamento de notas.
Com a pandemia causada pela Covid-19, novas perguntas pairaram sobre a atuação dos professores: como fazer a avaliação no ambiente virtual e o que realmente deve ser considerado nesse período? Além disso, como avaliar a partir das considerações dos familiares, que passaram a fazer a aplicação das atividades e entrega de devolutivas diariamente? E como avaliar os alunos das famílias que por motivos diversos não conseguiram realizar as atividades?
Considerando essas problemáticas e todo conteúdo que já publicamos aqui no blog do Café Inclusão, decidimos falar sobre expectativas e as formas que a Psicologia pode contribuir nesse momento, tanto para fornecer suporte para a gestão escolar e os professores, assim como para as famílias.
Mas antes de falarmos sobre as expectativas, precisamos lembrar que a avaliação pedagógica deve ser feita pelo professor que por sua vez precisa manter essa avaliação sempre muito alinhada com o currículo e com os objetivos de aprendizagem de cada aluno. Tendo esse norte, devemos considerar o que do ponto de vista técnico, didático e metodológico podemos esperar para atingir em um determinado período.
Dito isso, vale a pena começar a refletir sobre expectativas, mesmo que brevemente. Nós professores ao longo da nossa formação profissional tivemos a oportunidade de conhecer ferramentas e estratégicas pedagógicas para avaliar nossos alunos, obviamente que em se tratando de aluno público-alvo da Educação Especial, ainda consideramos incipientes o que os cursos de graduação oferecem, levando os graduandos a buscarem cursos específicos sobre o assunto.
Nesse sentido, não podemos esperar o mesmo conteúdo técnico das famílias, que repentinamente se tornaram protagonistas nesse processo, tendo que lidar diariamente com as expectativas de aprendizagem, com o novo desafio de se orgulhar e se frustrar com os resultados apresentados pelo seu próprio filho.
Com isso, trazemos para a nossa discussão a Psicologia, que pode nos ajudar a alinharmos nossas expectativas em relação a aprendizagem, ainda mais nesse período tão complexo que estamos vivendo.
A Psicologia no contexto educacional pode nos indicar sentidos diferenciados para a avaliação, que não deve ser utilizada, nem agora e nem pós-pandemia, como niveladora ou como rotuladora, mas que pode ser utilizada para dar visibilidade as múltiplas possibilidades de aprendizagem e a formas como podemos explorar essa participação familiar.
Nesse sentido, nós professores também podemos ajudar as famílias, com solicitações mais flexíveis durante esse período, até porque somos nós quem conhecemos os diferentes tipos de avaliação e nesse sentido sabemos que o que precisamos é de uma coleção de evidências do que está acontecendo na aprendizagem do nosso aluno para subsidiar nossas decisões profissionais.
Por isso, pais, professores vamos buscar alinhar nossas expectativas respeitando especialmente o aluno, e aqui vai uma dica que pode ajudar nesse momento, permita que o próprio aluno seja o protagonista, proporcione momento para autoavaliações. Ao ouvir o aluno conseguimos complementar nossas evidências, compreendendo que essa também pode ser uma ferramenta poderosa de avaliação formativa.
Mas não se esqueça, a autoavaliação precisa ser adequada a faixa-etária e as condições do aluno, não deve ter respostas certas ou erradas, mas deve ser um espaço de liberdade, em que ele pode dizer como está se sentindo, o que sabe, o que precisa melhorar e até mesmo para ter possibilidade de criticar aquilo que está sendo oferecido, seja pela escola, seja pela própria família.
Enquanto isso, lembre-se do respeito!
Isso mesmo, famílias estão cansadas, na mesma medida que os professores estão sobrecarregados e nossos protagonistas, os alunos também. Então respeite cada um. Pais deem devolutivas para os professores. Escolas flexibilizem as solicitações e demandas. Psicólogos ofereçam suporte nesse momento.
Juntos podemos construir uma nova cultura de avaliação escolar que possa beneficiar próximas gerações, ainda estamos tentando, mas podemos fazer isso fomentando novos diálogos sem banalizarmos a importância das atividades avaliativas no planejamento pedagógico.
Ana Amélia Ribeiro de Almeida é co-fundadora do Café Inclusão, é psicóloga (Psicóloga – CRP: 01/12658) pela Universidade Católica de Brasília - UCB / Brasília. Especialização em transtorno do espectro autista. Sócia majoritária no tratamento de terapia Comportamental domiciliar no Distrito Federal que atende crianças, adolescentes e adultos com transtorno do espectro autista (TEA). No tratamento desenvolve o trabalho como psicóloga supervisora clínica individual, terapeuta familiar, realiza capacitação de cuidadores, terapeuta no contexto escolar e presta consultoria a escolas sobre inclusão no Distrito Federal.
Maewa Martina Gomes da Silva e Souza é co-fundadora desse cafézinho delicioso, graduada em Pedagogia com habilitação em Deficiência Intelectual, pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, campus de Marília. Especialista em Atendimento Educacional Especializado: Deficiência Intelectual pela mesma Universidade e especialista em Psicopedagogia Institucional e Clínica pelo Instituto de Ensino, Capacitação e Pós-Graduação. Mestre em Educação, na linha Educação Especial, pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Doutora em Educação, na linha Educação Especial, pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. É membro do Grupo de Pesquisa “Diferença, Desvio e Estigma” liderado pelo Prof. Dr. Sadao Omote. Atualmente leciona em cursos de graduação e pós-graduação, supervisiona estágios clínicos e institucionais na área da Psicopedagogia e produz conteúdo pedagógico para cursos EaD. Faz parte da equipe da Brain Academy também. É autora do livro “O que as crianças pensam sobre as deficiências” (2020), pela Editora Appris e organizadora dos livros “Atitudes Sociais em relação à Inclusão: da Educação Infantil ao Ensino Superior” (2020) e “De repente, uma pandemia: discussões sobre os Processos Educacionais durante o período de Distanciamento Social” (2021), ambos publicados pela Editora Fi.
