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AVALIAÇÃO PEDAGÓGICA DO ALUNO SURDO E CONTRIBUIÇÃO DO INTÉRPRETE DE LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS-LIBRAS
A hora da Avaliação Pedagógica chegou e vale lembrar que ela é usada para identificar o nível de aprendizagem dos alunos. Esse diagnóstico auxilia aos professores na elaboração de suas ações futuras, pois mostra a forma como os conteúdos foram absorvidos pelos estudantes e, portanto, quais devem ser mais ou menos reforçados no próximo semestre.
Os alunos, independentemente de suas idades, vêm com uma bagagem de saberes que deve ser considerada pelos professores. Cada aluno é único e por isso mesmo cada qual absorve os conteúdos apresentados em sala de aula de forma diferente. Além dessa individualidade natural há também algumas especificidades que os alunos podem apresentar, como os pertencentes ao público-alvo da Educação Especial, que demandam uma atenção diferenciada dos educadores.
Há profissionais que trabalham conjuntamente com os alunos público-alvo da Educação Especial a fim de auxiliar o desenvolvimento desses estudantes no decorrer de suas vidas acadêmicas. Um bom exemplo desse profissional é o intérprete de Libras.
Os alunos com surdez normalmente necessitam do auxílio do intérprete de Libras para que tenham pleno entendimento dos conteúdos apresentados em sala de aula. O trabalho desse profissional deveria ser apenas comunicativo, limitando-se a traduzir a explicação dos conteúdos, as dúvidas e os questionamentos, porém na prática não é bem isso o que acontece. Normalmente além de ser o canal de comunicação do aluno surdo com os demais, ele também fica responsável por boa parte da adaptação dos conteúdos, da explicação de alguns conceitos, da contextualização dos diversos assuntos e, claro, da inclusão desse aluno no ambiente escolar.
Há um momento especialmente importante na escola no qual o aluno surdo precisa do auxílio do intérprete de Libras - a hora das avaliações. Teoricamente esse profissional só poderia interpretar as questões para esse aluno, porém é normal o intérprete ter que exemplificar, contextualizar e trazer da vivência dessa criança alguma situação que a faça compreender o conteúdo para aí sim conseguir elaborar uma resposta.
Essas avaliações pedagógicas podem ser elaboradas tanto pelos professores como pelos órgãos próprios da Educação. Neste último caso elas já vêm prontas, como é o caso, por exemplo, da Avaliação de Aprendizagem e Processo. Os conteúdos abordados nessas avaliações são baseados num currículo geral, como o Currículo Paulista.
Em provas desse tipo os intérpretes mesmo fazendo todo o trabalho de conduzir o aluno ao entendimento das questões, ainda assim, na maioria das vezes, não têm sucesso, pois, esse aluno nem sempre tem acesso a todo o material e o resultado disso é uma nota insuficiente e muitas vezes injusta.
Muitos alunos com surdez, infelizmente, ficam defasados em relação aos demais colegas de classe. Isso é um fato.
A inclusão efetiva é um trabalho complexo e precisa ser feito em conjunto. O intérprete não dá conta de tudo sozinho. E nem deve!
Pensando nisso reforço aqui que se você tem um aluno com surdez seria bom que trocasse ideias com o intérprete dele para juntos pensarem nas melhores estratégias de ensino e, se você é pai ou responsável por uma criança ou um jovem com surdez em idade escolar, auxilie os professores de seus filhos dando apoio e motivação nas tarefas escolares que devem ser realizadas em casa, pois isso reforça os conteúdos abordados em sala de aula.
Todos os alunos, com ou sem deficiência, devem ter suas diferenças respeitadas e levadas em consideração no ato de ensinar, pois só assim poderão se desenvolver plenamente.
Bianca Pereira Rodrigues Yonemotu é graduada em Odontologia pela Universidade de Santo Amaro, especialista em Educação Especial pela Universidade do Sagrado Coração, mestre em Ensino em Saúde pela Faculdade de Medicina de Marília e doutoranda em Educação pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, na linha de Educação Especial. É membro do Grupo de Pesquisa “Diferença, Desvio e Estigma” liderado pelo Prof. Dr. Sadao Omote e atualmente é docente de Língua Brasileira de Sinais – Libras no Centro Universitário Eurípedes de Marília.
