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O TRADUTOR E INTÉRPRETE DE LIBRAS E SUA ATUAÇÃO EM TEMPOS DE PANDEMIA
Com a pandemia da COVID-19, nossas vidas mudaram e foi necessário nos adaptar à nova realidade imposta pelo isolamento social. Nas escolas, nos eventos culturais e no lazer, o uso de recursos tecnológicos favoreceu a continuidade da interação social e educacional. Podemos perceber, nesse contexto, a importância da acessibilidade linguística para as pessoas surdas por meio da atuação do Tradutor e Intérprete de Libras nas mais diversas áreas da sociedade.
Na área educacional, seja em sala de aula ou em palestras, o tradutor intérprete de Libras é bastante requisitado e sua presença é fundamental para a garantia do direito linguístico das pessoas surdas. Esse profissional vem conquistando novos espaços de atuação, como, por exemplo, em lives musicais, em eventos culturais, entre outros. Além do trabalho de tradução e de interpretação em Libras nas aulas ou vídeos no âmbito educacional e no contexto remoto, é notório o aumento da presença desse profissional nas lives musicais para que as pessoas surdas tenham acesso às letras das músicas.
Mas afinal, quem é esse profissional tão importante para a mediação da comunicação entre pessoas surdas e ouvintes? A legislação brasileira, por meio da Lei nº 12.319/2010, regulamenta a profissão de Tradutor e Intérprete de Libras, bem como define a formação e as competências necessárias para a sua atuação profissional. Dessa forma, a mediação linguística e cultural entre pessoas surdas e ouvintes está permeada pela atuação desse profissional. Desde a regulamentação da legislação até os dias atuais podemos enfatizar a importância das lutas e conquistas para o reconhecimento desse profissional, pois muitas vezes a formação e o contato com a língua de sinais era realizada de maneira informal em contextos religiosos. Por outro lado, com o reconhecimento legal e maior atuação em diferentes espaços, também podemos perceber a profissionalização e discussões sobre sua atuação em pesquisas acadêmicas.
Promover maior visibilidade a Libras favorece a Comunidade Surda, à medida em que a sociedade começa a se interessar pela sua língua e cultura dessa população. Isso vai ao encontro do que é estabelecido na Lei n.10.436/2002, que reconhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio legal de comunicação e de expressão dessa comunidade no Brasil.
A Comunidade Surda, portanto, tem conquistado cada vez mais a garantia de seus direitos linguísticos e o reconhecimento de sua língua, o que possibilita trilhar novos caminhos, rompendo as barreiras que limitam a comunicação entre pessoas surdas e ouvintes.
Elaine Pereira Rezende é pedagoga e especialista em Libras e Educação Inclusiva pela UNESP/Marília. Atuou como professora de sala de recursos para alunos surdos na rede estadual e como tradutora e intérprete de Libras em cursos de ensino superior. Atualmente trabalha como professora especialista no Centro de Atendimento Educacional Especializado (CAEEC) para jovens e adultos surdos e com deficiência intelectual.
