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ACOMPANHAMENTO PSICOTERÁPICO COM PESSOA AUTISTA E SURDA
Ao longo destes anos de trabalho como psicóloga clínica especialista em transtorno do espectro autismo (TEA), eu tenho vivenciado alguns desafios e gostaria de compartilhar com vocês um estudo de caso referente ao acompanhamento de um paciente autista e surdo.
Até a descoberta desta perda auditiva neurossensorial moderada severa esquerda e direita, o atendíamos apenas considerando o TEA, mas após o diagnóstico aos 8 anos de surdez idiopática, ou seja, sem causa conhecida, de caráter definitivo e com indicação de aparelho de amplificação sonora em ambos os ouvidos. Com isso, foi preciso nos readaptarmos para atendermos também esta necessidade dele. Quando falo nós, refiro-me ao meu trabalho e da psicóloga Maria Paola de supervisoras e da terapeuta que atendida este paciente, assim como, a família que é parte fundamental da equipe.
Atualmente este paciente apresenta relativa autonomia em suas atividades de cuidados diários, mas precisa ser supervisionado para que não faça a atividade muito rápida e nem de qualquer jeito. Está alfabetizado e se comunica bem por meio da escrita. Estuda em Classe Especial e não tem nada específico para surdo. Aluno exclusivo com monitor. Ele escolheu se comunicar pela escrita. Conseguiu aprender algo em Libras, mas apresentou resistência para desenvolver-se por perceber que consegue se comunicar melhor pela escrita do que por Libras.
Algumas estratégias são utilizadas no manejo com este paciente, pois precisamos sempre falar de frente para que facilite a leitura labial dele. Quando precisamos diferenciar algo bem específico como fonemas em atividades de Psicopedagogia, utilizamos a ajuda de apoio visual associado à leitura labial e falar mais pausadamente ou perto do ouvido dele para que ele possa nos entender com maior facilidade.
Sempre olhamos o paciente com as potencialidades e necessidades de adaptação que ele possui para que a partir daí possamos realizar um trabalho eficiente e que faça a diferença na vida daquele paciente e da sua família. Se colocar no lugar do outro é uma boa estratégia para abrirmos os horizontes associarmos a parte técnica, com criatividade e este exercício de empatia para que uma estratégia tenha maior chance de dar certo.
O objetivo do acompanhamento psicoterápico precisa focar na independência, bem-estar, desenvolvimento de habilidades, ampliar o repertório de interesses, que o paciente se sinta inserido no contexto social e escolar de forma produtiva.
Ana Amélia Ribeiro de Almeida é co-fundadora do Café Inclusão, é psicóloga (Psicóloga – CRP: 01/12658) pela Universidade Católica de Brasília - UCB / Brasília. Especialização em transtorno do espectro autista. Sócia majoritária no tratamento de terapia Comportamental domiciliar no Distrito Federal que atende crianças, adolescentes e adultos com transtorno do espectro autista (TEA). No tratamento desenvolve o trabalho como psicóloga supervisora clínica individual, terapeuta familiar, realiza capacitação de cuidadores, terapeuta no contexto escolar e presta consultoria a escolas sobre inclusão no Distrito Federal.
